Um roteiro sobre cachorro, sexo e relacionamentos

Dizem que bichos e seus donos se parecem. Adriano e o seu cachorro não se pareciam. Nem um pouco, aliás, Adriano sendo um cara alto e esguio e o cachorro um tipo trêmulo de pequenês. Nada em comum entre o dois, um apenas tolerava o outro. Existiam momentos de franca cooperação, no entanto, e isso acontecia quando Adriano passava mel no pau pro cão lamber.

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O caso Regina

“Lembra de mim, Carlos?” Foi isso o que pulou na caixinha do meu whatsApp dias depois de eu começar a entender do que se tratava essa coisa que deixava todo mundo zumbi na rua.  A fotinho fazia lembrar Raquel, uma antiga namorada que, até onde eu sabia, vivia em Goiânia. “Sempre penso em você, consegui teu zap com uma amiga”. Raquel. Claro que eu lembrava. Mil vezes bati punheta pra essa mulher nos últimos anos. Pus o dedo na fotinho pra ver se ficava maior, um truque que o Alfredo me ensinou. Raquel surgiu na minha tela e alguém buzinou atrás. Era eu o zumbi da vez.

Inesquecível, a Raquel. Vestia uma cinta preta com um pinto preto de vinil de vez em quando. Era muito, muito branca, então o contraste era simples e divino. Eu tinha vinte e poucos anos e me lembro de dizer “Show!” toda vez que via Raquel assim na minha cama. Eu era um moleque. Taí. Uma mulher com um pau, de novo, na minha mente. Isso é coisa antiga, ao que parece. “Não quer vir à Goiânia?”. Tosco. Que ideia absurda. Resolvi não responder nada até chegar em casa. Tava quase batendo o carro por causa dessa porra.

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Da rotina

1.1. Da buceta. A rotina da buceta se inicia à hora do entumecimento, à hora que um rio de sangue corre pra inchar justo o que a sua língua vai provar, fazendo verter ali, em golfadas, os primeiros visgos do suco que você precisa. Eles já vinham sendo preparados antes, em mornuras de banho maria de pensamentos obscenos (você sabe, está no tao livro). Quando você chega, eles esperam apenas o primeiro golpe para abundar quentes, escorrer e impressionar o paladar. Se você lambe, se você mama, se você chupa, então os sucos vêm cada vez mais rápido pra sua boca, encharcando o genuflexório em que você se posta em devoção para se nutrir. Se teus olhos se cruzam com os meus (susto de revelação, alegria de reconhecimento), então viramos matéria volumosa, a coisa mesma que se formou entre olhos, língua, buceta e caldos quentes. Sorrimos.

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O homem do circo

O homem do circo era um talentoso malabarista. Como convém às pessoas de circo, ele tinha também outras habilidades. Algumas ele demonstrava no picadeiro (ajudante de palhaço), outras ele exercitava nas fogueiras da trupe (aprendiz de contorcionismo). Havia uma, porém, que ele só exibia em espetáculos privados. O fato circense era o seguinte: o homem do circo só esporrava se quisesse, na hora que ele mesmo decidisse. Nem uma foda com a mais habilidosa hetera, nem uma punheta tocada pelo homem mais gostoso do planeta poderiam fazer o homem do circo perder o controle do próprio pinto. Ele era o orquestrador, sempre, da festa e da gala. Continuar lendo

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I type, you type
talk is typing
you type, I type
love is typing
we type, we hide
sex is typing
we type, we’re high
life is happening

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Brasília: autorretrato*

Amor de alcova na cidade de mar de céu azul, conhece uma única placa. Siga saída sul.a      * Estudo para o projeto “Poesia Nua” – Lounge Poético (Brasília-DF)

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28/01/2015 · 09:00

Adeus

“E o que será de uma geração inteira de paulistas que não terá o onanismo no chuveiro como prática sistêmica?(…) Gente que vai pecar em outro lugar . (…) Gente infeliz… Gente Infeliz…”

Fernando G. C. Amaral

Carolina deixou que a água morna escorresse pelas pernas. Era tarde, era urgente. E era preciso estar ali pelo menos mais uma vez. Pela última vez.

Lembrou. Não da descoberta, mas do dia em que apresentou o método a uma amiga. Não eram pequenas, nenhuma delas. Também não eram grandes. Tinham dez anos? Doze anos? Banheiro, coca-cola e dois cigarros: uma ensinando a outra o segredo. É assim, ó. A gente tira esse troço e aperta a mangueirinha até fazer o jato certinho, entendeu? É só isso.
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