Histórias Impuras

De Noélia Ribeiro, musicado por Marina Andrade

 

Quero ser personagem
Do seu caderno de histórias impuras
Fazer o que eles fazem
Abrir e fechar pernas e boca
Em banheiro, carros, ruas
Quero não ter censura
Viver essa vida louca
De mulher plebeia
Saída de sua crença
De suas ideias

Quero ser personagem principal
Do seu conto
Do seu poema
Pode até ser um homem
Indecente e carnal
Não tem problema

Quero entrar na sua trama
De quatro, em pé, no chão, na cama
Etcetera e tal
Pra todo mundo ler
Desde o início
Até o ponto final
Até o ponto G
 

(para Ágata Benício)

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Um roteiro sobre cachorro, sexo e relacionamentos

Dizem que bichos e seus donos se parecem. Adriano e o seu cachorro não se pareciam. Nem um pouco, aliás, Adriano sendo um cara alto e esguio e o cachorro um tipo trêmulo de pequenês. Nada em comum entre o dois, um apenas tolerava o outro. Existiam momentos de franca cooperação, no entanto, e isso acontecia quando Adriano passava mel no pau pro cão lamber.

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Da rotina

1.1. Da buceta. A rotina da buceta se inicia à hora do entumecimento, à hora que um rio de sangue corre pra inchar justo o que a sua língua vai provar, fazendo verter ali, em golfadas, os primeiros visgos do suco que você precisa. Eles já vinham sendo preparados antes, em mornuras de banho maria de pensamentos obscenos (você sabe, está no tao livro). Quando você chega, eles esperam apenas o primeiro golpe para abundar quentes, escorrer e impressionar o paladar. Se você lambe, se você mama, se você chupa, então os sucos vêm cada vez mais rápido pra sua boca, encharcando o genuflexório em que você se posta em devoção para se nutrir. Se teus olhos se cruzam com os meus (susto de revelação, alegria de reconhecimento), então viramos matéria volumosa, a coisa mesma que se formou entre olhos, língua, buceta e caldos quentes. Sorrimos.

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O homem do circo

O homem do circo era um talentoso malabarista. Como convém às pessoas de circo, ele tinha também outras habilidades. Algumas ele demonstrava no picadeiro (ajudante de palhaço), outras ele exercitava nas fogueiras da trupe (aprendiz de contorcionismo). Havia uma, porém, que ele só exibia em espetáculos privados. O fato circense era o seguinte: o homem do circo só esporrava se quisesse, na hora que ele mesmo decidisse. Nem uma foda com a mais habilidosa hetera, nem uma punheta tocada pelo homem mais gostoso do planeta poderiam fazer o homem do circo perder o controle do próprio pinto. Ele era o orquestrador, sempre, da festa e da gala. Continuar lendo

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I type, you type
talk is typing
you type, I type
love is typing
we type, we hide
sex is typing
we type, we’re high
life is happening

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Brasília: autorretrato*

Amor de alcova na cidade de mar de céu azul, conhece uma única placa. Siga saída sul.a      * Estudo para o projeto “Poesia Nua” – Lounge Poético (Brasília-DF)

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28/01/2015 · 09:00

Adeus

“E o que será de uma geração inteira de paulistas que não terá o onanismo no chuveiro como prática sistêmica?(…) Gente que vai pecar em outro lugar . (…) Gente infeliz… Gente Infeliz…”

Fernando G. C. Amaral

Carolina deixou que a água morna escorresse pelas pernas. Era tarde, era urgente. E era preciso estar ali pelo menos mais uma vez. Pela última vez.

Lembrou. Não da descoberta, mas do dia em que apresentou o método a uma amiga. Não eram pequenas, nenhuma delas. Também não eram grandes. Tinham dez anos? Doze anos? Banheiro, coca-cola e dois cigarros: uma ensinando a outra o segredo. É assim, ó. A gente tira esse troço e aperta a mangueirinha até fazer o jato certinho, entendeu? É só isso.
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