Um lance científico

(No boteco)

– Então, o que eu tava te dizendo é que eu pensei em escrever um lance erótico, sabe? Aquilo que eu tinha te falado ontem.

– Sei.

– Um texto, um conto, uma nota, sei lá. Algo que levante paus e molhe bocetas! Umas palavras que façam o cara ficar de pau duro e deixem a garota de calcinha encharcada. Só de ler, entende? Não seria sensacional?

– Um texto pra ficar de pau duro..

– Claro, pau duro seria sucesso demais, mas o texto tem que conseguir ao menos umas contrações mais baixas, umas imaginações, uns bicos duros, salivações, não sei. Se a menina começar a dar uma repuxadinha nos pentelhos, então é isso, chegamos lá. Entende o ponto?

– Sei… E ?

– E então eu queria te pedir para que você me dissesse onde, exatamente, as palavras que eu vou dizer te atingem, entendeu? É como se fosse um laboratório isso aqui, o boteco. Vamos fazer algo científico.

– Taí, te digo exatamente o que eu senti. Anota aí: científico é uma palavra horrível, que nem levanta, nem molha.

– Anotado. Mas meu, não sacaneia que o negócio é sério. Pensa bem, isso ajuda todo mundo. Imagina se a gente descobre a combinação certa? A frase domadora de xoxotas e caralhos de todos os credos e procedências? E se acharmos frases de grandes efeitos, de pequenos efeitos, de médios efeitos? E se fôssemos dosando cada entrada, cada aparição, talhando cada palavra para encurralar, guiar, convidar o cidadão pra urgência de ter cu, caralho, boceta, hein, não ia ser demais?!

– U-au. Tá. Bora fazer, gostei da animação. Posso pedir birita, né? Sem bebida não vai rolar.

– Pode. Pede pra mim também porque o negócio é complexo e exigente. Não parece no início, porque o universo é pequeno. Mas o problema é grande. Veja só. Os verbos principais: meter, chupar, dar, lamber, cheirar, comer. Esses são os mais que principais, eles têm corpo, eles são quase a coisa toda. As coisas: boceta, cona, pica, xoxota, cu, caralho, pau, dedo, pinto, peito, bico, língua, boca, bunda, coxa, porra, leite, suco, saliva. Esses falam de uma certa geografia, de certos relevos, certas águas…

– Sandrinha, você não existe…

– Presta atenção. Tem também as qualidades e os jeitos: duro, macio, mole, suave, molhada, encharcada. Gostosa, inchada, sentada, de quatro, por cima. Entendeu? É pouco, mas é muito. Tem muito mais nesse caldo aí, mas já aqui, só de combinar essas coisas, a gente já pode ter muitos resultados, entende?

– Entendi. Duas cachaças, então, garçon. Pode ser essa aí.

– Então, topou?

– Topei.

– Então, ótimo, já expliquei, né? Vamos lá, vou falar… “Chupa aqui”.

– Começou?

– Começou. “Chupa aqui”.

– Hum… eu chupo, baby.

– Hahaha, essa é uma perolazinha, né? Coisa simples, elegante, direta. E aí? Pensou, sentiu o quê?

– Pensei na sua boceta e pensei que devia abrir agora suas pernas de bailarina com os meus pés, pra gente deixar esse laboratório mais legal.

– Uau. Tudo isso? Duas palavrinhas?

– Duas palavrinhas mais o pequeno gesto que você fez com as mãos, mais as 50 palavras de baixo calão que você já falou pra mim no minuto passado, tudo isso misturado com lembranças de ontem e o telefonema que você me deu falando de num sei que lá de texto erótico.

– Hum… Rolou um efeito acumulativo, não tinha pensado nisso.

– Rolou. Muitos efeitos acumulativos, e, pra registro, anota aí, minha boceta molhou quando eu disse que ia te chupar. Aliás, se você quer saber, posso te chupar, te comer, te lamber, posso fazer a porra toda agora.

– Uau! Hum, não tava contando com essa acumulação… Eu não queria fazer nada assim, verdadeiramente científico, sabe? Só um testezinho rápido, minimamente controlado, pra ir chegando mais perto das frases levantadoras de paus…

– Olha, te digo que depois desse “Chupa aqui” você tem em mim agora praticamente uma boceta ideal: molhada e quente!

– Há! Esse é o poder das palavras!

– E então, o que você me diz? Vamo embora, vamos sair daqui, bora?

– Ah não, ontem a gente se pegou a noite inteira Bebete, péra um pouco! Eu quero mesmo trabalhar nessas frases! Olha só o resultado, como a sua boceta tá! Pensa só que maravilha poder ler um texto e terminar a leitura prontinha pra dar! Ou melhor, nem conseguir terminar o texto de tanta pressa nos dedos, de tanto tesão, de tanto gozo. A gente quase que nem precisa de paus, línguas, bocetas, só de palavras!!!

– Nada contra baby, mas é que é um desperdício, entendeu? É a segunda vez que você me dá bola na vida, aí eu e você vamos ficar com as xoxotas pulsando… preocupadas com palavras? Poético demais pra mim.

– Então vai outra proposta: a gente vai investigando essas frases mágicas até não aguentar mais, que tal? Quando a gente estiver implorando, uma pela língua da outra, a gente paga a conta e vai pra cama. Pode ser assim?

– Okei, tá bom, isso pode ficar bom. Tá.

– Ótimo. Então agora é… “Que pau gostoso”.

– Não, mas aí eu preciso de uma imagem, minha querida cientista, assim não dá. Quando você falava “chupa aqui” eu pensava na sua linda bocetinha morna, eu queria a sua linda bocetinha morna, mas agora tamo falando do pau de quem?

– Não sei, ué. Você que me diz: de quem é esse pau gostoso?

– Ah, é do Lúcio, do Lúcio! Eu vi, outro dia! Quer dizer, eu olhei ele meio assim de lado e ele devia estar pensando uma puta sacanagem, porque o pau tava ali todo desenhadinho, semi-durinho, sabe, por debaixo das calças? Vai ver que tava lendo um texto que você escreveu, haha.

– O Lúcio, é? Mas como era, você acha que ele tava de pau duro mesmo, assim na rua?

– Menina, não sei. Ou isso, ou ele tem um pau imenso, sei lá, uma imposição da natureza. Mas não, era uma coisa mais ou menos, não era um pinto pronto pra foder não, mas era talvez um pau pós foda, sabe? Parecia ainda durinho, mas em repouso, cansado.

– Bom, mas “Que pau gostoso” te molhou de novo?

– Não é de novo, baby, tem algo permanente acontecendo aqui. Mas realmente, agora que você falou, acho que o Lúcio metendo o seu pau gostoso na sua boceta deliciosa seria uma cena estonteante. Eu ia assistir a isso toda arreganhada e ia puxar minha calcinha com dois dedos prum lado, só pra sentar na sua cara, pra você me chupar enquanto o Lúcio te fode. Se tudo desse certo, dava até pra roubar um beijo gostoso do gostoso do Lúcio.

– Nossa Bebete, agora você arrasou. Agora eu é que me molhei …

– Então baby, chegou a hora de sair daqui, né?!

– Não, peraí, pede mais uma, preciso ir ao banheiro. Registra essa minha molhada aí no caderninho, please.

***

– Caraca, encontrou alguém pelo caminho? Demorou!

– Fala de novo aquela cena que você pensou.

– Como se eu tivesse parado de pensar nela! Você demorou demais, Sandra… Ó, é assim… o gostoso do Lúcio te fode enquanto eu olho… bom, seria lindo também se eu chupasse de vez em quando o pinto dele, pra sentir ele e você ao mesmo tempo, todos os sucos de uma vez. Aí eu boto a minha xoxota na sua boca pra você ficar me dando um beijo de língua ali no meio das minhas pernas e… o que… Ah não! Ah não, Sandrinha, não tô acreditando nessa sua cara de pau… Você foi tocar uma no banheiro?

– Ahã.

– Cara, não tô acreditando. Puta que pariu.

– Ô Bebete, foi só pra dar uma zerada, começou a ficar complicado, entendeu? Eu queria estar mais zerada pra testar mais frases.

– E aquela estória de implorar pela minha língua?

– Mas eu imploro, Bebete, eu imploro pra que você trabalhe com a sua língua todas os ângulos da minha boceta.

– Você não gosta só de escrever não, né, você gosta de falar sacanagem, não é isso?… Ou você está me sacaneando? Porra, sacanagem, Sandra. Mas aqui… sério, tinha alguém no banheiro com você?

– Entrou uma pessoa enquanto eu tava lá.

– E ela te ouviu? Cara, não tô acreditando nessa sacanagem.

– Eu não tava fazendo barulho, né? Bom, pelo menos eu acho.

– Mas e você, sabe quem era ela?

– Não, mas achei legal pensar que eu tava ali no banheiro tocando uma, que ela podia escutar e querer participar, sabe? Tipo filme de sacanagem?

– Sei… Porra Sandra, você devia ter me chamado né? Eu bem que podia fazer a cena da moça que quer participar, você pensou nisso? Sacanagem…

– Eu também fiquei pensando que eu ia ficar mordiscando os peitos dela.

-Sei.

***

– E aí, não quer continuar?

– Tô terminando essa cachaça pra ir embora.

– Ah, Bebete, só mais uma! Eu prometo que no fim de tudo tem cama!

– Mas eu tô nessa cama, certo? Ou você tá sozinha tocando uma?

– Claro que você tá nessa cama. Pô relaxa aí, Bebete, fica curtindo o tesão mais um pouco, bora beber mais! Ó, vamo inverter, agora quem diz a frase é você, pra eu registrar direitinho o que eu sinto. Diz aí a frase que você tem na manga…

– Sandra, eu vou abrir tuas pernas nessa cadeira e te lamber que nem uma cachorra bebendo água. Eu vou deixar tua boceta lambuzada e inchada, pingando, que é pra eu encontrar uma poça quente quando eu meter meus dedos lá dentro. Eu vou ver o Lúcio te beijar enquanto eu vou te fazendo gozar com os meus dedos. Ele vai chupar seus peitos até sentir vontade de meter o seu pau gostoso na minha boca. Você, bem gozadinha, vai me chupar um pouco só pra preparar minha cona pra entrada triunfante do pau do Lúcio. E esse cara vai meter, meter, meter, até não aguentar mais. Você vai querer que ele meta em você também, e, com esse pensamento, vai me beijar a boca.

– Uau. Arrasou.

– E então, dá pra ir embora agora?

– Dá. Ligamos pro Lúcio?
 

2 Comentários

Arquivado em Calcinha branca

2 Respostas para “Um lance científico

  1. Hetera

    vou tomar umas cachaças com você, Ágata, só pra te ouvir falar obscenidades.

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