A festa – trama pornô musicada em 3 atos

Texto: Ágata Benício

Argumento e Direção: Ágata Benício e Hetera

Música: “Deixa eu te beijar onde eu quiser” – Ágata Benício e Tiago Moria

 

PERSONAGENS

 

NINA, a anfitriã, com ideias. Fodelante.

TAÍS, a amiga da anfitriã, com ideias. Fodelante.

CARLA, a aniversariante.

SANDRA, convidada, fodelante.

BEBETE, convidada, fodelante.

ARMANDO, convidado, fodelante.

GABRIEL, convidado, fodelante.

JOÃO, convidado, fodelante.

PAULO, convidado, fodelante.

LÚCIO, convidado, fodelante.

 

PRIMEIRO ATO – A TRAMA

Quarto. Nina e Taís sentadas numa cama.

 

NINA    Fechou a porta?

TAÍS      Fechei.

NINA    Então, o negócio é o seguinte. Tô pensando em marcar a festa surpresa da Carla pro próximo sábado.

TAÍS      Dá tempo, sem problema.

NINA    Dá. Lua cheia. A gente pode botar velas pela casa, afastar alguns móveis pra dança e tal. Agora, aqui, numa boa… você não acha que a gente tá muito careta não? Eu ando pensando numa coisa…

TAÍS      Fala…

NINA    Todo mundo que vai estar nessa festa tem tesão um no outro, não tem?

TAÍS      Hum … mais ou menos, vai! Quem vai estar? O Armando, o João, Gabriel, Paulo… Lúcio… é… até agora… bom, o Lúcio é foda, todo mundo tem tesão no Lúcio….

NINA    E as meninas? Tem a Bebete, a Carla, a Sandra….

TAÍS     Todas são demais né?

NINA   E tem a gente…

TAÍS     É, a gente também tá no jogo né?… Taí… ok, todo mundo tem tesão um no outro…

NINA   Então se todo mundo tem tesão, qual seria o problema se essa festa surpresa da Carla virasse, de repente, uma festa com surpresa, tipo uma suruba?

TAÍS     Caraca! Gente! Será? Será que o povo dá conta? Será que eu vou ter coragem? Adorei!

NINA   Então, aí que tá. A gente precisa dar coragem pro povo.

TAÍS     E como que a gente vai fazer isso?

NINA   A gente vai oferecer aquela bebida afrodisíaca do Butão.

TAÍS     Gente, eu adoro a felicidade do Butão! Tem bebida afrodisíaca, é?

NINA   Tem.

TAÍS     Mas funciona?

NINA   Funciona.

TAÍS     E como que consegue isso, gente?

NINA   Já tá conseguido (levanta-se, tira do armário uma garrafa colorida)

TAÍS     Uau (Taís manipula a garrafa contra a luz. A garrafa tem TODOS os atributos do exótico). Mas como é que a gente vai fazer as pessoas tomarem?

NINA    Isso é simples. A gente coloca a garrafa na mesa, os copos em volta e uma plaquinha que diz: afrodisíaco do Butão.

TAÍS      É, simples é… e vai dar certo?

NINA    Não vai?

TAÍS      Eu tomaria… ahahaha… (olha pra cima, como quem ordena os pensamentos). Você não tomaria? Vixe, só tô imaginando essa festa! Uhu! (cai pra trás na cama)

FIM DO PRIMEIRO ATO.

 

SEGUNDO ATO – A FESTA SURPRESA

 

Casa da Nina. Sala arrumada com velas, meia-luz. Convidados descolados dançando expressivamente. Ao fundo, uma faixa: Parabéns, Carla! Em todo cenário, sinais de que a festa começou já faz algum tempo. Na mesa, ao centro, comidas remexidas, copos coloridos cheios, vazios, derrubados. A garrafa de afrodisíaco do Butão (foco de luz nela) está caída, vazia. Música de festa, banda ao vivo, em evidência. Nina e Taís conversam ofegantes (da dança), ao gritos.

 

TAÍS      E aí, você tá sentindo alguma coisa?

NINA    Tô, um pouco, não sei…

TAÍS      Você sabe se todo mundo tomou?

NINA    Acho que sim, você ficou olhando?

TAÍS      Mais ou menos, sei lá. Meu, será que isso não vai dar certo?

NINA    (rindo) Já deu, olha pra lá (aponta)!

 

(À direita do palco, Lúcio empurra, como num drama barato, Bebete no Sofá, que, ao cair, arremessa histericamente seus saltos altos para cima. À esquerda, simultaneamente, Armando abre a camisa de João e o cheira do pescoço ao ventre. Ao centro, Taís e Nina, se abraçam tocadas, em comemoração ao feito. O gesto vai virando amasso e se adequando, como numa dança, a um ritmo diferente, que passa a se impor: é um tango vigoroso que começa).

 

(Todos cantam)

 

Deixa eu te beijar onde eu quiser

No sonho, no carro, na estória, no poema

Deixa eu te beijar onde eu quiser

Na festa, na rua, num canto, no cinema

Deixa eu te beijar onde eu quiser

Na boca, na bunda, nas coxas, no floema

Deixa eu te beijar onde eu quiser

por dentro, agora, no meio dessa cena

 

(Momento 1 – Todos cantam, dramaticamente, e se agarram, com um tesão atávico. Meia luz em toda cena. Os corpos se provam, enquanto peças de roupa vão sendo retiradas com pressa (mas não todas). A música deve marcar o andamento da pegação. Há uma certa dança na execução dos gestos)

(Momento 2 – um casal, um trio, uma quadra vai para o meio da cena, foder. A iluminação deve dar sacralidade aos atos. Ao redor, em meia luz, os outros beijam- se, lambem-se, examinam-se em dança. A exceção é Carla, que coça muito os olhos, assiste a uma ou duas cenas zonza e se deita no primeiro plano do palco. Desmaia.)

(Referências para os momentos 1 e 2: A música deve ser trabalhada o tempo todo nesses dois momentos, em torno do tema da fodelança. Deve ganhar corpo, presença, ser ela mesma um dos que fodem. Ao fundo, vozes da banda devem misturar-se às vozes dos fodelantes, com gritos que respondem ao verso “Deixa eu te beijar…”. Indicações: os peitos, a pica, a bunda, os colhões, a boceta, o cu… O véu simbólico entre cena e banda se rompe – um ou outro fodelante se sentirá à vontade para bolinar alguém da banda. Sempre que isto acontecer, o corpo da música deve responder, gemendo)

Indicações para centros de cena (momento 2):

Armando, João, Taís, Nina e Lúcio: Primeiro grupo a entrar no centro. Todos se beijam (em trios e duplas homo e heteroeróticas) e se lambem em provocação e brincadeira, enquanto vão retirando as peças de roupa restantes. A cena deve começar com todos de pé, em alegria e celebração abertas, e terminar com todos quase deitados, derretidos, arreganhados, satisfeitos em tesão sofrido. Corte de Luz.

Gabriel, Bebete e Nina: Bebete e Nina têm bebidas nas mãos, que derramam sobre os corpos, uma da outra. Bebem, cantam, dramatizam a canção uma para a outra, cúmplices. Eventualmente, invertem os corpos num meia nove e passam a se chupar vagarosamente, arredondadas, derramando bebida entre as pernas. Gabriel entra em cena com uma cadeira e senta ao lado das meninas. Observa as duas se comendo por um momento e logo depois fecha os olhos. Massageia seu pau por cima da calça jeans. Fecha a luz.

Lúcio, Sandra e Paulo: Lúcio limpa a mesa da festa com um golpe de braço. Sandra a acupa, divertida. Paulo e Lúcio, enquanto punhetam suas pŕoprias picas, derramam línguas, dedos e segredos por sobre o corpo de Sandra. Um sanduíche clássico se insinua, eventualmente. Depê. Felicidade crua , a ser explorada pela luz em vários ângulos. Quanto Baste.

(Depois de um tempo ótimo, de talvez, 40 minutos (momentos 1 e 2), a pulsação da música começa a cair, perde-se a noção de centro de cena, e um cansaço lânguido vai tomando conta de todos. Os corpos aquietam-se, aninham-se. Também a banda vai perdendo membros para o esgotamento, de modo que a música vai se sustentando com dificuldade, até calar. Cai a luz).

FIM DO SEGUNDO ATO

 

TERCEIRO ATO – O DIA SEGUINTE

(a luz acende. Corpos caídos por toda a cena. Lentamente, alguns começam a se espreguiçar, e encontrando-se nus, tropeçam e catam roupas pelo caminho. Com o dia, os corpos perderam algo de sua harmonia. Não há música nem cúmplices, a culpa espreita. Quando a última fodelante (Nina) veste a última peça de roupa, em alto constrangimento, Carla se mexe e acorda do seu desmaio, olhando pros lados).

 

CARLA          Gente, mas que loucura! Caralho, que porra foi essa?

NINA             Nossa, nem fala…

CARLA          Eu tô quebrada, como é que vocês me deixaram dormir aqui nesse chão duro?

TAÍS              Ô, Carla, tava todo mundo muito doido, foi mal, eu também não tô me sentindo muito bem…

CARLA          Mas que horas que acabou tudo? Todo mundo dormiu aqui? Gente, que doidera…

LÚCIO           É… o pessoal foi ficando, a festa bombou, né…? Assim…

CARLA         Gente, eu não me lembro de NADA, a última coisa que eu lembro, sei lá, foi de dançar ali com o Gabriel, não sei, até isso tá parecendo um sonho… será que foi o tal do afrodisíaco do Butão que me deixou assim?

LÚCIO         Sério, Carla, que você não lembra de nada?

CARLA        Nada.

NINA          Tá vendo isso, Bebete, a Carla não lembra de nada!

BEBETE      Ah, mas se é assim, pensando bem, eu também não lembro, pô.

TAÍS            Eu também NÃO, gente!!!! Uau! Que lou-co. Eu também não!

NINA          Gente, eu também não lembro de NA-DA. Deve ter sido o afrodisíaco, ahaha! Só deu drogado nessa festa!

GABRIEL    Só tem é neurótico nessa festa, isso sim, agora todo mundo esqueceu? Bando de maluco.

ARMANDO Ué Gabriel, vai ver que você é mais resistente, por isso não ficou intoxicado. Eu declaro que também não me lembro de porra nenhuma.

LÚCIO         Eu também não me lembro de nada, é isso aí. Então minha proposta é que a gente faça outra festa com esse afrodisíaco aí pra gente tirar a teima. Talvez o lance seja tomar menos… ou mais, sei lá… Ah !!! Pra próxima trago a minha máquina fotográfica, hahaha.

NINA           Sandrinha, Paulo, João, e vocês?

SANDRA     Quem sou eu, querida, não lembro de nadica de nada… eu sou pura dor de cabeça nesse momento.

NINA           Paulo, João?

PAULO/JOÃO        Náaaaa

NINA           Banda?

BANDA       Náaaa

(banda começa a tocar “Deixa eu te beijar onde eu quiser”, insidiosamente)

CARLA         (já refeita) Caraca, será então que esse afrodisíaco só funciona no Butão?

NINA           É… parece que só se pode ser feliz no Butão, hahaha!!!

( a música ganha outra pulsação, de samba, talvez, e as pessoas, já realaxadas, corpos mais altivos, começam a conversar animadamente, fazendo movimento de festa. Cai o pano)

 

FIM

1 comentário

Arquivado em Calcinha branca

Uma resposta para “A festa – trama pornô musicada em 3 atos

  1. Hetera

    AMO essa festa. Felicidades de Butão!

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