Caderno de Campo: Hetera Irene (III)

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Hetera Irene, essa dama erótica, é uma fonte inesgotável de histórias. A maioria de suas  narrativas versam quase que exclusivamente sobre os modos e os jogos envolvidos nos variados prazeres carnais. Algumas histórias no entanto, são especiais. Isto porque além de conteúdo erótico, elas tratam também – através de algumas alegorias e personagens míticos – de um certo conteúdo moral. Tratam-se das Fábulas de Hetera Irene. Embora se passem em cenários comuns, essas são narrativas recheadas de deuses e exotismo. Pontuadas por sincretismo e bom humor, trazem sempre um conselho útil ao ouvinte.  Apresento abaixo, em primeira mão, uma dessas histórias. Paradoxalmente – uau! – é tudo verdade.
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Terceira Coleta. Hetera Irene conta a Fábula de Netuno:

Era uma vez uma moça que pulou o carnaval, mas não pegou ninguém. No fim de uma manhã ensolarada, no último dia de suas férias, ela foi a praia para refrescar a mente numa das várias piscinas naturais que os arrecifes formam. Foi sozinha, pedindo aos céus que mudassem sua sorte. A piscina era rasa e a água estava quase parada. Foi por isso que a moça levou um certo susto quando apareceu por detrás dela, como quem vem das profundezas, um homem velho e nobre, com uns olhos cor de mar.

Era Netuno, de sunga e neoprene, da cintura pra cima.

– Bom dia – disse ela.
– Bom dia. Um lindo dia, não?
– Ah sim!
– Dia bom pra achar sereias!
– Essa é nova! Agora Netuno anda por aí dando em cima de mocinhas na praia, é? Você sabe que eu não sou uma sereia.
– Hum, deixa eu ver… a diferença começa aqui, um pouco abaixo da linha da cintura.
– Gente, eu não sabia que Netuno era safado assim!
– Acho que encontrei uma sereia sim. Uma gostosa. E acho que você precisa relaxar, muitas coisas ainda estão por acontecer na sua vida, minha cara. Você sabe boiar?
– Sei, sim!
– Eu te ajudo, vem cá. É só relaxar que eu te apoio.
– Uau, assim vou precisar fechar os olhos.
– Fecha, querida. Relaxa, minha Iansã. Deixa eu preparar essa sua buceta linda.
– Iansã?
– Me diga se você não é filha de Iansã.
– Sou.
– Pois então, eu sei. Tava te esperando.
– Mas você é Netuno ou o quê?
– Eu também sou do Santo, amor.
– E pra que me esperava?
– Pra chupar sua buceta debaixo d’água. Só pra você ser feliz. Quer?
– Ah quero sim, meu bem!

O velho então se encheu de ares num único golpe e se enfiou no meio das pernas da moça. Aquele era um deus determinado a chupar uma buceta e deixar uma moça gozada. Netuno travestido de peixe, um peixe travestido de língua, uma língua travestida de homem de santo. Tudo junto pra fazer a moça tremer sob o sol quente. Enfim, o velho, o mar, uma nova história e uma nova moral: pedi e recebereis!

 

2 Comentários

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2 Respostas para “Caderno de Campo: Hetera Irene (III)

  1. Hetera

    Ágata, Ágata! Você acha que Netunos andam por aí chupando as mocinhas debaixo da água?

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