O homem do circo

O homem do circo era um talentoso malabarista. Como convém às pessoas de circo, ele tinha também outras habilidades. Algumas ele demonstrava no picadeiro (ajudante de palhaço), outras ele exercitava nas fogueiras da trupe (aprendiz de contorcionismo). Havia uma, porém, que ele só exibia em espetáculos privados. O fato circense era o seguinte: o homem do circo só esporrava se quisesse, na hora que ele mesmo decidisse. Nem uma foda com a mais habilidosa hetera, nem uma punheta tocada pelo homem mais gostoso do planeta poderiam fazer o homem do circo perder o controle do próprio pinto. Ele era o orquestrador, sempre, da festa e da gala.

Para esses espetáculos, que envolviam, é claro, bebida, música e fumaça, aparecia gente muito bem informada sobre o que se passava na cidade. E nessas noites, em nome do desafio, tudo era possível. Quem fizesse o homem do circo esporrar, é claro, ganharia o troféu máximo. E isso justificava, quem diria, repentinos atos de liberdade. Mulheres sinuosas invadiam a cena (veja-se o homem do circo deitado em almofadas, à meia luz) e pagavam boquetes históricos. Homens ofereciam o cu, felizes, um atrás do outro. Pares, trios, quadras entravam em cena ao mesmo tempo, confiantes num bom trabalho em equipe. E o homem do circo nada, sempre num controle da porra.

Conta-se que uma vez, espetáculo em Brasília, o homem do circo teria titubeado. A cena foi insólita, de tão pura: uma figura ajoelhou-se e falou bem baixinho no ouvido do homem do circo.  Conseguiu um pequeno espasmo do homem. E uma interminável chuva de aplausos, gritos, felicitações e brindes. Tratava-se, só podia ser, de Noélia, a mega, maga poeta, que aliás, jamais revelou o que disse.  Depois disso, nem palavra, nem boquete, nem boceta, nem língua, nem cu fizeram milagre parecido. Só quando o espetáculo começava a cair, quando a galera já estava cansada e já tinha se aliviado em punhetas, fodas e afins que o homem do circo pedia a palavra, propunha um brinde e com ordenhas certeiras, de próprio punho, esporrava longe e caudalosamente. Fim do espetáculo.

Não se sabe como o homem do circo teria ganhado essa habilidade. À boca miúda diz-se que era evangélico quando criança. E que, tendo se descoberto um punheteiro de marca maior, teria tido que aprender a não esporrar pra não ir ter com o diabo tão cedo. É o ofício evangélico criando incríveis artistas sexuais. Eu, por mim, acredito. Acontece. São coisas da vida.

1 comentário

Arquivado em Calcinha branca

Uma resposta para “O homem do circo

  1. Noélia

    Obrigada pela bela e erótica homenagem. Amei!

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