O caso Regina

“Lembra de mim, Carlos?” Foi isso o que pulou na caixinha do meu whatsApp dias depois de eu começar a entender do que se tratava essa coisa que deixava todo mundo zumbi na rua.  A fotinho fazia lembrar Raquel, uma antiga namorada que, até onde eu sabia, vivia em Goiânia. “Sempre penso em você, consegui teu zap com uma amiga”. Raquel. Claro que eu lembrava. Mil vezes bati punheta pra essa mulher nos últimos anos. Pus o dedo na fotinho pra ver se ficava maior, um truque que o Alfredo me ensinou. Raquel surgiu na minha tela e alguém buzinou atrás. Era eu o zumbi da vez.

Inesquecível, a Raquel. Vestia uma cinta preta com um pinto preto de vinil de vez em quando. Era muito, muito branca, então o contraste era simples e divino. Eu tinha vinte e poucos anos e me lembro de dizer “Show!” toda vez que via Raquel assim na minha cama. Eu era um moleque. Taí. Uma mulher com um pau, de novo, na minha mente. Isso é coisa antiga, ao que parece. “Não quer vir à Goiânia?”. Tosco. Que ideia absurda. Resolvi não responder nada até chegar em casa. Tava quase batendo o carro por causa dessa porra.


Foi calçando o tênis no carro que me lembrei. Raquel e eu tínhamos terminado porque ela trabalhava demais. Ela adorava o trabalho, simplesmente. E isso me deixava boquiaberto. Não entendia, eu que trabalhava apenas porque era preciso, que alguém gostasse disso. O fato dela ser  assistente social era ainda mais constrangedor. Que eu soubesse, esse era o trabalho mais ingrato do mundo, tipo enxugar gelo sendo muito, muito, mas muito mal pago. Mas Raquel queria, gostava, via sentido em acordar às seis da matina pra pegar um ônibus e ir encarar malucos, desempregados, adolescentes idiotas, meninas abusadas. Isso me emputecia. E eu dizia a ela, em arroubos de arrogância, que ela era uma doce escrava do estado e que eu não. Isso foi estragando nossas noites juntos.

***

Alcancei o segundo andar e comecei a achar a ideia de ir à Goiânia interessante. Talvez porque eu tenha me visto de relance no espelho do hall da dona Ló. Eu já estava há alguns meses de dieta por causa da gastrite. E tinha até ganhado alguma agilidade com esse lance de não usar mais elevador – uma pequena fobia começava a se insinuar em espaços pequenos, então eu tinha passado a usar as escadas do meu edifício, como quem faz exercício, de tênis e tudo. O resultado é que eu tinha perdido alguns quilos e, pensando bem, para os desinformados eu até que estava em forma. Não encontrei mais espelhos na subida até o meu andar pra firmar a posição, então resolvi acreditar na avaliação de dona Ló. Talvez eu desse conta da Raquel. Goiânia até que apetecia.

Abri a porta de casa suado e resolvido a não fazer nada, pelo menos até o dia seguinte. Raquel que esperasse. A imagem de uma mulher com um pau tinha se avivado em minha mente.  Eu tinha um vinho, tinha música no computador, e antes de dormir ia bater uma punheta. Estava salvo, afinal, numa quarta-feira chuvosa.

***

“Toda assistente social tem um pouco de detetive, querido. Mas eu até que preciso de uns conselhos de profissional pra ver se aprendo a ir puxando o fio da história das pessoas daqui, pra ver se consigo localizar os parentes, entende? Venha aqui pra me dar umas dicas, você fica na minha casa, aproveitamos pra botar o papo em dia, que tal?”. Afinal, era isso. Raquel participava de um mutirão num grande hospício em desativamento em Goiânia; precisava encontrar parentes de pacientes esquecidos dentro dos muros e achava que eu podia ensinar algo.

Não, eu não podia.

Isso, de achar parentes das pessoas, pode até parecer interessante. Não é. Eu daria a maior parte da tarefa ao Alfredo e duvido que tivesse algo a ensinar a Raquel. Mas o que incomodava mais era a clientela da vez. Não gosto de loucos. Perdi uma amizade por causa disso, uma vez. Eu morava no Rio e uma amiga que morava em Brasília me pediu pra eu fazer uma inscrição pra ela num concurso do Pinel. Não fiz. Disse que ia fazer, mas não fiz. Eu tinha um medo atroz de loucos naquela época, nada me faria pegar um ônibus pra Botafogo e entrar no Philippe Pinel. Disse que esqueci do prazo e assim ficamos.

Hoje esse medo passou. Acho. Ficar mais velho tem dessas coisas, você se dá conta que todo mundo é a mesma merda e sorri quando lê na camiseta da sobrinha que de perto ninguém é normal. Ainda assim, na frente de um doido, doido mesmo, eu ainda me desconcerto. Não sei o que dizer, onde botar os braços e todo mundo nota, o que piora tudo. Outro problema era que esse convite da Raquel era na base da camaradagem, estava claro. Ninguém mencionou honorários, evidente. Raquel queria conselhos qualificados, algo assim, e isso eu poderia fazer por telefone. Mas havia o contraponto: a chance de dormir na casa dela.  Digitei: Querida Raquel, estou enrolado, não sei se vai dar.

Me arrependi um segundo depois. Achei que enrolado podia ser lido como comprometido, e achei tudo, whatZapp, balãozinho de texto, namorada antiga, pinto de vinil, tudo, tudo de um profundo e infinito mal gosto. Quis apagar a mensagem, mas não consegui, mesmo apertando todos os botões. Liguei pro Alfredo. “Não dá pra apagar, não mexe nisso bêbado.” Eu não estava bêbado, porra. Voltei e já tinham os tais vezinhos azuis. Fiquei puto e digitei: Mande o endereço, chego no sábado.

***

Raquel marcou no hospício, almoço de confraternização de fim de semana. E a primeira figura que vejo, quem diria, é a de um doido, doido mesmo, se rindo muito, indo de um a um falar qualquer coisa. Os sorrisos das pessoas são meio protocolares, donde assumo que o que ele conta não deve ter muita graça. São sorrisos nervosos, todos têm medo de loucos, como eu.  Finalmente o momento fatal. Faço um quê de girar os calcanhares e inaugurar uma rota de fuga, mas o doido se dirige mesmo até a mim.

“Vê só. O pivete pega e pixa um pinto na parede, aí a polícia, pra apagar o pinto, pinta um pinto da cor da parede em cima do pinto, igualzinho ao pinto. Quer dizer – esses pintos poéticos, políticos, patifes – quem pensaria que pra apagar apalpar papar o pinto a polícia teria que pintar um pinto por cima do pinto? Ninguém imaginaria. É inimaginável o falo inefalável da patifaria, entende? Até o papa, até o papa que é popi – o popi não poupa ninguém –  papa pinto!”

Eu entendo. É mais filosófico do que engraçado. Realmente não se vê de cara porque o sujeito ri tanto. E eu quero dizer isso ao sujeito: Bicho, eu tô te entendendo, só que isso não tem graça. Mas eu não digo e fico meio que de lado, estendendo o olhar pra além dele, meio que fingindo que estava procurando a Raquel. O doido se desanima comigo e segue na sua missão. Eu também me desanimo. Giro, enfim, os calcanhares e Raquel está ao alcance do meu abraço. Sentamos embaixo de uma árvore.

***

Segue branca, branquinha, a Raquel. Vejo a barriga por uma frestinha entre a calça jeans e a camiseta. Talvez por isso essa alucinação, de ver o pau preto de vinil bem no lugar dele, ali, entre as pernas de Raquel, eternamente duro, por debaixo do zíper afofado. Lembro que quando Raquel comprou, fazia questão que fosse preto e que não imitasse um pau de homem: “Isso estragaria tudo”. Não me lembro porquê isso estragaria tudo. Mas penso em perguntar alegremente, eu, novamente deitado, deslumbrado, nu, diante da branquíssima mulher do pau preto sempre ereto. Olho discretamente para a minha própria calça jeans pra ver se o volume que tenho é visível e comparável, mas o movimento de Raquel me assusta. Ela está apontando para uma senhora. Regina, ela me diz.

Regina, uma residente do hospício de Goiânia. Dela não se sabia nada há muito anos. Apenas que era uma sobrevivente. Tinha vivido, supunha-se, ao menos três décadas no sinistro hospital da cidade, que a esta altura tratava como sua casa. Uma senhora de nobres gestos e sem sobrenome, que desfilava com suas decadentes, recatadíssimas roupas, por todos os espaços do hospício. Discreta, elegante, altiva, era praticamente a cicerone da nova equipe, que lá havia chegado há três meses para desativar o hospital. Animada, falava com todos, todos os dias, sobre a sua rotina na cidade do Rio de Janeiro. Quando lá está, vai a praia, ao cinema, às costuras. Aqui, passa apenas uma temporada, para recuperar a saúde. Nesses três meses, Regina nada mais disse sobre si. Não se lembrava do seu sobrenome, não falava de parentes, não dizia onde morava no Rio de Janeiro. Para piorar, nenhum prontuário ou documento do hospital a mencionava. Regina era um desses casos que só as grandes e absurdas instituições sabem produzir.

“Quero te apresentar a ela, Carlos”. Regina, de fato, era uma mulher extremamente elegante. Um calor dos diabos, calor de Goiânia, e ela de roupas de mangas, nem uma gota de suor. Quis dizer isso e dessa vez disse, me envergonhando a cada sílaba de século passado que soltei: “Muito prazer, Regina, você é muito elegante, uma verdadeira dama”. Raquel ria quando Regina delicadamente me respondeu, em tom de chá das cinco:

“Dama? Mamãe era uma dama. Uma dama, mamãe. Incrível a sua elegância, seu senso de elegância, sua presença nos bailes, sua educação finíssima, uma dama era mamãe. Ah, os bailes do Rio de Janeiro, você já esteve nos bailes do Rio de Janeiro? Não há quem seja de sociedade que não tenha ido aos bailes do Rio de Janeiro, doutor.  Eu fui muito, muitíssimas vezes, claro. Mamãe ia junto, ninguém ia sozinha ao baile, não senhor. Ah e os pianos?! Incríveis, as danças, coisas que já não existem mais, o senhor sabe, não se pode mais falar disso. Eu tinha 18 anos, o senhor sabe, e mesmo assim, minha mãe me acompanhava, mulher direita ou ia com a mãe ou com o marido, era assim naquela época.”

Arrisco uma pergunta sobre ter marido mas Regina já se despede: “Querido doutor, hoje é dia de recepção aqui em casa, seja muito bem vindo, aproveite, a sobremesa está divina”. E Caminha. Ou melhor, flutua em direção a uma mesa que já não sei se é de funcionários ou de pacientes. Raquel me dá a mão e entendo que estamos indo embora à francesa. Volto a pensar no pau sempre ereto da Raquel, mas dessa vez sinto medo. Quanta mentira, senhoras e senhores. É claro que eu não estava em forma.

Saímos em carros separados. Fui seguindo Raquel.  E fazendo os círculos de Goiânia me dei conta que não dava o cu há anos. Achei graça e pensei que também não dava o anus há cus. Mas o riso era de nervoso. Fora uma travesti que me comeu uma vez, em troca de dinheiro, eu não tinha dado o cu pra ninguém além de Raquel. Não tinha prática e é preciso ter prática, acredite. Fiquei preocupado. Mas antes de eu poder entender o que fazer, já estávamos subindo as escadas – “pra exercitar!”, sugeri – pro apartamento da Raquel.

***

Nos entendemos rápido. Dois adultos num apartamento. Uma cerveja, risos estranhos e logo chegamos à cama. Raquel sempre foi uma figura livre, ou ao menos essa era a sua performance. O modo como esfregou a buceta na minha cara me fez lembrar disso e isso foi fundamental, porque o meu pau ainda não estava duro. Se eu me dedicasse ali, chafurdasse ali, mamasse, lambesse generosamente, a Raquel, do jeito que era, não ia sentir falta de mais nada. Isso me relaxou e eu cumpri o pensado. Tive medo de ficar sem ar, de me agoniar, mas não. Mamei ali feito cachorro com sede. Ao final eu tinha sim, um pau duro, e pude meter. A camisinha não me brochou e gozamos quase juntos, uma pequena delícia goiana. Raquel foi buscar mais cerveja e eu achei que ela ia voltar de pau duro. Veio só cerveja gelada e eu relaxei, achando que os caldos da Raquel, administrados desse jeito, podiam me curar da fobia. Restava saber qual era a dosagem.

Ficamos deitados na cama um tempo, feito namorados. Raquel comenta do hospício, do difícil trabalho de recuperar as histórias das pessoas que passaram décadas ali e diz, com preocupação, que os tempos estão difíceis, que tudo indica que atravessaremos um novo período de conservadorismo e até de “desrespeito ao estado democrático de direito”.

– Ditadura, Carlos, você tá entendendo a gravidade da situação?

– Não, eu não entendo. É verdade, não entendo mesmo, e acho que os meus pais também não entendiam. Outro dia me dei conta que nasci no ano considerado o mais duro da ditadura, 1971. Isso quer dizer que meus pais, se é que não sou um acidente, pensaram e planejaram a constituição de uma família nesse ano. Pessoas sumindo, pessoas sendo torturadas e meus pais fodendo e se reproduzindo, entende? O foda é isso, é que em grande medida, se você ficar na sua, se botar na cabeça que vai viver uma vida normal, você vive. Exige cinismo, exige alguns sedativos, exige desinformação, mas você vive de um jeito razoavelmente normal.

– Carlos, você me fez pensar em uma coisa doida. E se a história da Regina for isso e se ela foi internada como presa política e esquecida lá? Isso explicaria a absoluta falta de papéis, de registro da presença dela no hospício.

– Tem isso, de gente internada como preso político?

– Sim, com certeza, era comum até, tinha todo um aparato psiquiátrico pra fazer isso acontecer.

– Mesmo a pessoa não sendo doida?

– Sim, claro, bastava ser contrário ao regime e parecer descompensado, coisa fácil de rolar e de forjar, se você pensar bem.

– Olha só, só uma coisa me chamou atenção na Regina. Tá um calor da porra, não é isso? Como que ela consegue ficar toda vestida, toda tapada, de manga cumprida? Olha, na minha experiência isso quer dizer alguma coisa. Essa senhora tá tapando alguma cicatriz, alguma coisa da qual ela tem vergonha, entende?

***

Um segundo e Raquel já está ao telefone. Inicia-se, na verdade, uma série de ligações intermináveis para os colegas de trabalho. Que surpresa, Raquel ainda era Raquel. Trabalhava no fim de semana pra desvendar a história de uma paciente. Presa política? Teria sido torturada? Isso explicaria o sofrimento mental. Esconderia cicatrizes? Alguém já tinha visto os braços nus de Regina, a barriga, as pernas? Hipóteses, expectativas, dúvidas e até planos delicados para observar o corpo nu da idosa dama. Passamos assim o sábado e o domingo. Nunca mais buceta na cara. Nunca mais pau de vinil. Nunca mais drink no dancing.

***

Segunda-feira. Dou carona pra Raquel até o hospital antes de seguir pra Brasília. Ela quer que eu veja Regina de novo, eu não. Mas não posso dizer isso assim. Não arranjo jeito de me esquivar e lá estou de novo ali no hospício, contando os minutos pra pegar a estrada. O doido que eu conheci no outro dia passa por mim, faz uma reverência e diz “pelo menos eu gosto de mulher”. Finjo que não ouço e sigo prum auditório. Todos vão, um velho piano de parede está sendo empurrado pra lá, doação de uma médica que se mudava pra um apartamento menor.

Regina também está lá, vestida da cabeça aos pés num calor dos infernos, como esperávamos. Mãos cruzadas à frente do peito, muito animada com a presença de todos no auditório, vem me receber: “Que prazer receber o doutor aqui!”. Alguém grita “Viva a nova sala de música!” e todos explodem em palmas. Me preparo pra me despedir de Raquel mas algo me detém. Todos estão arrebatados, na verdade. É a figura de Regina.

O fato é que um fio imaginário, visto por todos, parecia ter alongado a sua coluna naquele exato momento, fazendo ela ganhar ares ainda mais nobres e caminhar decidida. Regina senta-se então ao piano e, após uma expiração controlada, começa a tocar. O ar ao seu redor muda. Todos arredondam o olhar e Regina toca não uma, mas três, cinco músicas. Durante quase uma hora aquela elegante senhora moradora de um hospital psiquiátrico tocou piano, com um repertório variado. E tinha técnica, tinha vigor, tinha excelência. “Isso eu sei que é Chopin”, alguém disse ao meu lado. “Gente, olha a Regina!”,  disse um que tinha acabado de chegar. As pessoas se congratulavam ao meu redor, e era difícil, mais uma vez, entender quem era maluco e quem não era. Olhei pra Raquel e vi, maravilhado, minha namorada de vinte anos atrás. Foi quando Regina se levantou e pediu a palavra:

“Meus queridos, meus queridos! Obrigada pela suave presença de vocês no Café Des Artistes! Eu sou Regina de Medeiros e entretenho aqui todas as quartas, por favor, voltem sempre. Peço desculpas pela desafinação do piano, não queremos magoar ouvidos sensíveis, acreditem, iremos reparar isso o quanto antes. Mas voltem, voltem sempre, é um enorme prazer tê-los aqui”.

Todos boquiabertos, alguns chorosos, Raquel extasiada e Regina identificada. Cai o pano.

***
Ao chegar em Brasília tem pichação nova na esquina de casa: “dou o cu pra minha mina”. Me arrepio porque acho que tem a ver com Raquel, com Regina, com Goiânia, com o pau preto.  Alguém viu, alguém sabe. Sei que isso é ridículo, eu sequer dei, mas mesmo assim enrubesço. Como assim, essa pichação aqui e agora? Bem aqui na frente da minha casa? Por outro lado, isso pode ser um sinal. De que eu tenha ficado curado da fobia. Pode ser. Ameaço subir de elevador pro meu apartamento. Mas não. Melhor calçar o tênis. Dona Ló me cumprimenta. “Boa tarde, seu Carlão”. Eu digo boa tarde dona Ló enquanto checo o zap. Chegou a resposta da Raquel: “Regina está bem, está falando mais, falou ainda agorinha de um marido assassinado, ela pode ter sido internada depois disso. Sobre o pau preto, que pergunta, hein?! Mas sim, ainda tenho ele sim, Carlos. kkkkkkk”.

Tem três carinhas de diabo depois do kkkkkkk, eu acho que isso é importante. Ligo pro Alfredo pra saber como é que põe carinha de diabo de volta. Quero botar uma também. Uma carinha de diabo e um coraçãozinho, se tiver. Alfredo não atende. Deixo pra mais tarde.

2 Comentários

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2 Respostas para “O caso Regina

  1. Hetera

    estávamos com saudades. amamos homens que dão o cu também.

  2. danú

    Ágata cada dia mais afiada! Salve!

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