Caderno de Campo: Hetera Irene (III)

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Hetera Irene, essa dama erótica, é uma fonte inesgotável de histórias. A maioria de suas  narrativas versam quase que exclusivamente sobre os modos e os jogos envolvidos nos variados prazeres carnais. Algumas histórias no entanto, são especiais. Isto porque além de conteúdo erótico, elas tratam também – através de algumas alegorias e personagens míticos – de um certo conteúdo moral. Tratam-se das Fábulas de Hetera Irene. Embora se passem em cenários comuns, essas são narrativas recheadas de deuses e exotismo. Pontuadas por sincretismo e bom humor, trazem sempre um conselho útil ao ouvinte.  Apresento abaixo, em primeira mão, uma dessas histórias. Paradoxalmente – uau! – é tudo verdade.
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Caderno de Campo: Hetera Irene (II)

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Hetera Irene é um espírito livre. Este fato, aliado aos seus incríveis cachos negros e sua aguda percepção, tem feito dela uma espécie de guru pornô, de deusa devassa. Todos silenciam para ouvir suas histórias e são dela as  declarações mais lapidares dos jogos libidinosos cotidianos. A cantada irretocável “vai ser bonit@ assim lá na minha cama”, que todos andam repetindo por aí, é dela. A incestuosa variação “vai ser bonit@ assim lá na minha família” também é dela. Tenho a impressão que é por ser a encarnação desta rara combinação de inteligência e luxúria que o pessoal ultimamente tem ido pedir a ela conselhos sobre a vida, o sexo e a liberdade. Continuar lendo

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Lasciva*

Lascívia. s.f. lubricidade, sensualidade, libidinagem, ardor fogoso.

Sílvia riu. Que palavra. Pousou o dicionário no peito, mexeu os pés, fez ponta de bailarina. Eita livro pra ser chato. Romance besta. Mas lascívia era uma palavra legal (repetiu baixinho). Boa de falar, soava bem. Grifou, respirou fundo e correu pra se arrumar. Estava atrasada, como sempre.

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Anita professora

A professora Anita é mesmo uma graça. Todas as sextas-feiras ela dá aulas do módulo de siririca  para suas alunas na escola. Sempre muito pontual, ela mantém seus materiais em ordem e à mão para as demonstrações necessárias. Muito simpática, explica tudo com muita paciência e atenção, mesmo para as meninas mais tímidas. Como deve ser bom ser aluna da professora Anita!
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Uma gata

A gata acordou no meio do dia. Meio dia? Será o meio do dia? Espreguiçou-se, olhando para as patas. Súbito soube, atinou. Fodeu! Aquele era o primeiro minuto. O primeiro minuto da sua última vida. Mas como foi rápido! Fixou os olhos no horizonte. Confirmou que o mundo, mais uma vez, continuava o mesmo. Passou a língua em si. Também continuava a mesma. Fechou os olhos. Tremeu. Era hora de labutar, de novo e urgentemente, sobre a questão primordial. E agora?

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A estória da escada

Você só entrava na piscina pra ajeitar sua buceta de frente pro jato d’água, é isso que eu sei. Você tinha oito anos. E metia a buceta lá, na saída da água. Devia fechar os olhos, de bom que era. Você acha que não fechava os olhos. Mas fechava. E todo mundo te via, eu acho. Sua buceta devia ficar inchada, entendeu?  O biquini mostrava tudo, com certeza. Homem vê isso. A bucetinha marcando a calcinha. Você sabe que no dia que você voltou da piscina você tava com a buceta mexida. E foi por isso que o menino te pegou. E te beijou na escada.
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Um conto de fodas

Era Uma Vez Um Ogro. Esse gostava de jantar crianças, de nadar no rio e de zoar por aí. E também adorava foder. Especialmente com as fadas. Aqueles corpinhos pequetitos eram como se fossem uns quitutes de feira. E suas bucetinhas? Seu prato preferido. Pudins quentinhos.

Foi numa certa noite, depois de ter comido duas crianças e fodido com dois outros ogros (paus amigos) que ele encontrou Essa Uma. Uma fadinha branca. Desde Sininho, não se via uma criatura assim. Sabe carinha de pin-up? Sabe corpinho de pin-up? Sabe gostosuras de pin-up? Pois então. Continuar lendo

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