Arquivo da tag: Literatura Erótica; Iniciação sexual

Adeus

“E o que será de uma geração inteira de paulistas que não terá o onanismo no chuveiro como prática sistêmica?(…) Gente que vai pecar em outro lugar . (…) Gente infeliz… Gente Infeliz…”

Fernando G. C. Amaral

Carolina deixou que a água morna escorresse pelas pernas. Era tarde, era urgente. E era preciso estar ali pelo menos mais uma vez. Pela última vez.

Lembrou. Não da descoberta, mas do dia em que apresentou o método a uma amiga. Não eram pequenas, nenhuma delas. Também não eram grandes. Tinham dez anos? Doze anos? Banheiro, coca-cola e dois cigarros: uma ensinando a outra o segredo. É assim, ó. A gente tira esse troço e aperta a mangueirinha até fazer o jato certinho, entendeu? É só isso.
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Querido diário*

*com os cumprimentos de R.M.L.

 

Querido diário, sabe o Júnior? Tá aqui, bem na minha frente, andando pra lá e pra cá com a Claudinha pela casa, como se nada tivesse acontecido. Ai, como é bobinha a Claudinha, diário. Três anos mais velha que eu, mas como é bobinha! Não quer dar pros namorados, não quer. Fala que não quer, acha feio. É cheia de ais e ós, fala que não isso, que não aquilo, que chata! Que ridícula. Um dia perde o namorado por causa disso. Eu nunca vou perder um namorado por causa disso, querido diário, não vou. Mamãe apoia ela, fala que é pra ela se guardar. Mas eu não vou fazer isso não, Claudinha que se lixe. Se ela não dá, eu dou. E pronto. Continuar lendo

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Vinhetas para o divã

Primeira. Minha tia caminha, eu caminho ao seu lado. Os saltos do seu sapato baixo fazem barulho, batem na calçada que sempre se parece com a massa assada de um certo biscoito. O som do salto mostra que ali há carne, e que é preciso deixar o corpo pesar à direita e à esquerda pra que haja passo. O salto suporta, o salto faz ritmo pra música qualquer que sempre ouço por dentro. O som do salto é preciso em compassos inteiros. Mas às vezes há um arrastamento. Da perna, do pé, do passo. Continuar lendo

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Anita professora

A professora Anita é mesmo uma graça. Todas as sextas-feiras ela dá aulas do módulo de siririca  para suas alunas na escola. Sempre muito pontual, ela mantém seus materiais em ordem e à mão para as demonstrações necessárias. Muito simpática, explica tudo com muita paciência e atenção, mesmo para as meninas mais tímidas. Como deve ser bom ser aluna da professora Anita!
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A estória da escada

Você só entrava na piscina pra ajeitar sua buceta de frente pro jato d’água, é isso que eu sei. Você tinha oito anos. E metia a buceta lá, na saída da água. Devia fechar os olhos, de bom que era. Você acha que não fechava os olhos. Mas fechava. E todo mundo te via, eu acho. Sua buceta devia ficar inchada, entendeu?  O biquini mostrava tudo, com certeza. Homem vê isso. A bucetinha marcando a calcinha. Você sabe que no dia que você voltou da piscina você tava com a buceta mexida. E foi por isso que o menino te pegou. E te beijou na escada.
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Nelsinho

Nelsinho olhou bem. E de novo. Se afastou, firmou o olhar. Quando afundou a língua é que formulou o pensamento: essa é a buceta mais maravilhosa que eu já vi.

Já tinha visto e provado muitas. Começou cedo, com a de dona Nonó. Dona Nonó morava na mesma rua que Nelsinho, quando ele era garoto. E gritava o Nelsinho da janela do segundo andar pelo menos duas vezes por semana. Esperava o menino aparecer na rua e arremessava o dinheiro amassado. Cigarro e pinga, era essa a encomenda. Nelsinho subia correndo as escadas, já com o pacote nas mãos. Dona Nonó nunca pedia o troco. Servia a pinga num copinho colorido, acendia um cigarro e se acomodava na espreguiçadeira. “Você me faz aquela gentileza, Nelsinho?”, dizia. “Claro, dona Nonó, é pra já!”, Nelsinho respondia.

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No bloco S

– “Vou dar uma geral nas câmeras de segurança” – Essa era senha para que Malu se apressasse.

Maria Luíza era a filha menor do casal de porteiros do Bloco S da 309. O pai dava uma geral nas câmeras de segurança todas as segundas-feiras, perto do meio dia, justo quando ela estava almoçando. Por causa isso, nesses dias, ela tinha que engolir a comida de qualquer jeito. Em 15 ou 20 minutos tinha que estar na portaria, embaixo da mesa do computador, quieta e posicionada. Não era fácil correr para chegar à tempo e logo depois ter que controlar a respiração. Mas Malu aprendeu a gostar do gosto do risco, e mais ainda, do gosto do comando. Às vezes corria em desabalo apenas para ter o prazer de se recompor. Aprendeu a se aquietar à força. Aprendeu a se esconder.

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